De Orfeu aos serafins
De que útero nasceu
Tão sublime criatura
Tanto clara quanto escura
Que aos pés do céu morreu?
Pereceu em nove vidas
Pássaro de brasa
Que do fogo é feita a asa
Quantas foram as lutas perdidas?
Vidas várias e sem paz
Te consome na chama santa
Deita em tuas cinzas e levanta
Por que canta enquanto cais?
Porque tuas alegrias somem
E no entanto sobrevives
Tu és a alma do homem
É fogo, é força e é fúria
Pedra bruta dos ourives
Lapidada na moléstia e na penúria
Limitado pelo suplício, tu não és
Voa com o sol em tua cabeça
E a tempestade a teus pés
Esticai as asas pelo ar
Pois não ressuscitas para morrer
Mas morres para ressuscitar
Jan Santos
Jan Santos
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