Se já, então você sabe das vantagens, mas se você apenas sente, e
não o é de fato, devo parabeniza-lo por ter uma vida pacífica. Só um escritor
sabe o quão machuca não saber o que escrever, só um escritor sabe o quão é ruim
se sentir tão estéril quanto qualquer prostituta. Um escritor não consegue
escrever só pelo ato, seria justamente como o sexo de prostituta.
O mundo é sempre mais cinza para um escritor, o mundo é sempre
mais injusto, sempre mais frio. Ainda assim, ele se alegra com o fugaz e o
momento, mas não se sente completo quando não procura pelo eterno, mesmo que
não exista. Busca perdida então? Jamais, um escritor não pensa assim, pois se a
busca não tem fim, ele sabe que achou ao menos algo duradouro.
Amor, amor e amor. Há também no amor algo perpétuo que o escritor
busca. Ele não se preocupa com o aspecto “natural” do amor, só com a forma com
que isso lhe toca. Bem ou mal, o amor encontra-se em cada gota de palavra, seja
amor a alguém, amor a algo, amor ao ódio ou amor em amar.
Se eu sou ou se me sinto um escritor? O conceito já estuprado da
mente coletiva me impede de responder, dizem que seria arrogância ou falsa
modéstia, independente da resposta. Se sou ou deixo de ser, sei que ao menos me
sinto um. Para ter certeza disso há poucas provas concretas, e para meu próprio
ego e alma, há certo conforto em uma frase abstrata: só um escritor sabe o
quanto dói não se sentir um escritor.