domingo, 8 de abril de 2012

Já parou pra se sentir um escritor?


Se já, então você sabe das vantagens, mas se você apenas sente, e não o é de fato, devo parabeniza-lo por ter uma vida pacífica. Só um escritor sabe o quão machuca não saber o que escrever, só um escritor sabe o quão é ruim se sentir tão estéril quanto qualquer prostituta. Um escritor não consegue escrever só pelo ato, seria justamente como o sexo de prostituta.

O mundo é sempre mais cinza para um escritor, o mundo é sempre mais injusto, sempre mais frio. Ainda assim, ele se alegra com o fugaz e o momento, mas não se sente completo quando não procura pelo eterno, mesmo que não exista. Busca perdida então? Jamais, um escritor não pensa assim, pois se a busca não tem fim, ele sabe que achou ao menos algo duradouro.

Amor, amor e amor. Há também no amor algo perpétuo que o escritor busca. Ele não se preocupa com o aspecto “natural” do amor, só com a forma com que isso lhe toca. Bem ou mal, o amor encontra-se em cada gota de palavra, seja amor a alguém, amor a algo, amor ao ódio ou amor em amar.

Se eu sou ou se me sinto um escritor? O conceito já estuprado da mente coletiva me impede de responder, dizem que seria arrogância ou falsa modéstia, independente da resposta. Se sou ou deixo de ser, sei que ao menos me sinto um. Para ter certeza disso há poucas provas concretas, e para meu próprio ego e alma, há certo conforto em uma frase abstrata: só um escritor sabe o quanto dói não se sentir um escritor.